Orquestra Filarmônica de Câmara Alemã em Bremen

Deutsche Kammerphilharmonie
Deutsche Kammerphilharmonie Bremen

Fundação: 1980
Sede: Stadtwaage, Bremen

A orquestra foi fundada em Frankfurt em 1980 por um grupo de estudantes de música, com a proposta de tocar sem regente. Adquiriu respeitabilidade e em 1983 deu um concerto nas Nações Unidas; no ano seguinte acompanhou o violinista Gidon Kremer no Festival de Lockenhaus. Em 1987 torna-se uma orquestra profissional. Em 1992 passa a basear-se em Bremen, incorporando ao seu o nome da cidade.

Em 2005 assumiu o posto de orquestra-residente no Festival Beethoven em Bonn. Depois de um mandato do (então) jovem Daniel Harding, de 1999 a 2003, a orquestra é dirigida pelo estoniano Paavo Järvi, que promoveu uma revolução no meio musical com seu "Projeto Beethoven", uma série de concertos nos quais trouxe uma nova maneira — articulações rápidas, agressividade da percussão, ênfase e força das cordas, contundência dos sopros — de tocar as Sinfonias do grande mestre.

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Veronika Eberle

Veronika Eberle

Donauwörth, Alemanha, 26 de dezembro de 1988

Instrumentos: Giovanni Battista Guadagnini (ex Adolf Busch), 1783
Instrumentos: Stradivarius "Dragonetti", 1700

Começou a estudar violino com 6 anos em Munique e com 10 anos de idade já dava seu primeiro concerto com a Sinfônica de Munique, Em 2003 venceu o Concurso Internacional em Mainz. E em 2006 (com 18 anos) tocou o Concerto de Beethoven com a Filarmônica de Berlim e Simon Rattle no Festival de Páscoa em Salzburg, o que impulsionou sua carreira internacional.

Veronika tocava o instrumento que pertenceu ao lendário Adolf Busch, e depois ganhou da Fundação de Música do governo do Japão o Stradivarius que pertenceu à coleção do contra-baixista e compositor italiano Domenico Dragonetti (1763-1846).

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Laurence Equilbey

Laurence Equilbey

Paris, 6 de março de 1962

A maestrina Laurence Equilbey começou na música estudando piano e flauta. Foi aluna de Eric Ericson, notável maestro-de-coro sueco. Em 1991 ela fundou o coral Accentus, do qual é diretora até hoje. Em 1995 fundou o Jeune Chœur de Paris que acabou incorporado pelo Conservatório de Paris. Desde 2010, junto com seu Accentus, é associada ao Ensemble Orchestral de Paris. Em 2012 cria a Insula Orchestra, com instrumentos de época, para tocar o repertório compreendido entre o Classicismo e o início do Romantismo.

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Orquestra "Insula"

Insula Orchestra

Fundação: 2012
Sede: Hauts-de-Seine, Grande Paris

A orquestra foi fundada pela maestrina Laurence Equilbey para tocar o repertório Clássico e Romântico com foco principal em Mozart, Beethiven, Schubert, Weber e seus contemporâneos. Seus músicos tocam instrumentos originais de época. O nome Insula faz alusão à região Île-de-France, na qual o Departamento de Hauts-de-Seine (subúrbios de Paris, La Défense), que apoia o projeto, está. Desde sua criação a Insula Orchestra é requisitada pelos principais festivais da França e em 2017 foi a orquestra a inaugurar a nova Sala de Concertos Cité Musicale de d’Ile Seguin.

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Sandrine Piau

Sandrine Piau

Issy-les-Moulineaux, França, 5 de junho de 1965

Registro vocal: soprano

Sandrine iniciou seus estudos de música, inicialmente para tornar-se harpista. Depois dedicou-se à voz no Conservatório de Paris. Especializou-se em música barroca e foi solista na monumental gravação que Ton Koopman fez de todas as Cantatas de Bach. Requisitada por expoentes da música antiga, como Fabio Biondi, René Jacobs, Marc Minkowski e Philippe Herreweghe, ela é um referência no canto barroco.

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(1785) MOZART Música para um funeral maçônico

Maurerische Trauermusik

Compositor: Wolfgang Amadeus Mozart
Número de catálogo: K 477
Data da composição: julho de 1785
Estréia: 17 de novembro de 1785 em cerimônia na Loja Maçônica de Viena, regência do autor

Duração: cerca de 5 minutos
Efetivo: 2 oboés, 1 clarinete, 3 clarinetes-contralto, 1 contra-fagote,2 trompas,as cordas (primeiros- e segundos-violinos, violas, violoncelos, contra-baixos)

Mozart era membro da Maçonaria e escreveu a obra para uma cerimônia em memória de dois colegas da mesma Loja, o Duque de Mecklenburg e o Conde de Esterhazy e Galantha. A obra é muito solene, densa e introspectiva, fugindo bastante ao que se espera da estética mozartiana, sempre associada a sonoridades mais leves.

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Khatia Buniatishvili

Khatia Buniatishvili — translitarção de ხატია ბუნიათიშვილი

Batumi, Georgia, 21 de junho de 1987

Khatia começou a estudar o piano com sua mãe aos três anos de idade e com 6 já estava se apresentando com a Orquestra de Câmara de Tbilisi. Frequentou a Escola de Música de Tbilisi e continuou seus estudos na Universidade de Música e Artes de Viena. Ganhou prêmios no Concurso Internacional Horowitz para jovens pianistas em Kiev, no Concurso Internacional Arthur Rubinstein em Israel, dentre outros. Tem se destacado junto às grandes orquestras como solista e eletriza as platéias em seus recitais pela postura ousada e interpretações extremamente viscerais.

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Emmanuel Pahud

Emmanuel Pahud

Genebra, 27 de janeiro de 1970

Instrumento: Brannen Brothers (ouro 14 quilates), 1989

Pahud, cujo pai trabalhava para uma multi-nacional americana, musdou-se inúmeras vezes durante a infância. Genebra, Bagdá, Paris foram as primeiras cidades onde viveu, até começar seus estudos em Roma com 6 anos de idade, por ter um vizinho flautista que despertou no menino o interesse pelo instrumento. Com 8 anos a família havia se mudado para Bruxelas onde ele frequentou a Academia de Música. Com 15 anos ele venceu o Concurso Nacional da Béligica e tocou seu primeiro concerto junto à Orchestre National de Belgique.

Com 17 anos se muda para Paris para estudar no Conservatório. Antes mesmo de concluir o curso, já havia ganho prêmios importantes, um deles em Kobe no Japão. Em 1989, com 19 anos, foi contratado pela Sinfônica de Basel como flautista principal. Após a conclusão do curso no Conservatório de Paris em 1990, onde obteu o grand-prix, passou a ter orientações com o grande flautista Auréle Nicolet. Em 1992 passou a integrar a Filarmônica de Munique como flautista-principal sob a batuta de Celibidache. No mesmo ano venceu o Concurso Internacional de Genebra e foi escolhido por Claudio Abbado o flautista-principal da Filarmônica de Berlim com apenas 22 anos!

O posto na Filarmônica de Berlim lhe deu a visibilidade de solista que seus antecessores no cargo (dentre eles Karlheinz Zöller, seu mestre Aurèle Nicolet e James Galway) tiveram. Isso o levou a gravações e concertos com várias orquestras, desde pequenos conjuntos de música barroca às sinfônicas e filarmônicas mais importantes do mundo. De talento camaleônico, ele se adapta ao estilo, período e densidade de cada obra que toca, com grande versatilidade. É o flautista mais importante em nossos dias.

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(1913) DEBUSSY Syrinx

La Flûte de Pan
Syrinx

Compositor: Claude Debussy
Número de catálogo: L 129
Data da composição: novembro de 1913
Estréia: Paris, 1 de dezembro de 1913 — pelo flautista Louis Fleury

Duração: cerca de 3 minutos
Efetivo: flauta

Quando a peça Syrinx apareceu, o repertório de flauta-solo não ganhava uma obra importante desde Carl Philip Emmanuel Bach 150 anos antes!

Originalmente a obra iria se chamar "A Flauta de Pan" e faria parte da música de cena (trilha-sonora) da Peça teatral "Psyché" de Gabriel Mourey (1865-1943), mas o projeto não foi adiante. Seria a música da morte de Pan, seu último canto, com a ninfa Syrinx, que ele transformou em sua flauta por não corresponder a seu assédio; segundo o pedido de Mourey a Debussy "uma verdadeira jóia de sentimento e emoção contida, tristeza, beleza plástica, ternura discreta e poesia".

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(1824) SCHUBERT Introdução e variações “Flores secas”

Introduktion und Variationen über "Trockne Blumen" aus "Die schöne Müllerin"

Compositor: Franz Schubert
Número de catálogo: D 802
Data da composição: fevereiro de 1824

Duração: cerca de 20 minutos
Efetivo: flauta e piano

Existe pouquíssima literatura para flauta no período Romântico, sobretudo dos grandes compositores; isso faz dessa obra uma espécie de raridade. Schubert a escreveu a pedido do flautista e amigo Ferdinand Pogner, depois da apresentação de estreia de seu ciclo de canções "A bela Moleira".

Schubert criou inúmeras obras-primas no campo da música instrumental, mas são suas 6 centenas de canções seu maior legado. Dentre elas, o famoso ciclo "A bela Moleira" (Die schöne Müllerin), 20 canções escritas em 1823 baseadas em Poemas de Wilhelm Müller (1794-1827) que contam a saga de um músico-viajante que se apaixona pela linda filha do dono de um Moinho; mas ela entrega seu coração a um caçador e, desiludido, o músico se afoga no rio que passa pelo moinho — as "Flores secas" (18ª canção do ciclo) são seu delírio de que as flores de seu túmulo estarão sempre frescas para embelezar a garota.

Apesar do tema bastante melancólico e triste, as Variações resultaram tocantes, exigem muito tecnicamente tanto do flautista como do pianista, e as Variações caminham para uma marcha triunfal na conclusão.

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