(1930) SHOSTAKOVICH Suíte "A Era do Ouro"

Zolotoi vek — transliteração de Золотой век

Compositor: Dmitri Shostakovich
Data da composição: 1930
Estréia: 26 de outubro de 1930 — em São Petersburgo, no Teatro Kirov (hoje Mariinsky)

Duração: cerca de 18 minutos
Efetivo: 1 flauta-piccolo, 2 flautas, 2 oboés, 1 corne-inglês, 3 clarinetas, 1 clarineta-baixo, 2 saxofones, 2 fagotes, 1 contra-fagote, 4 trompas, 3 trompetes, 3 trombones, 1 bombardino, 1 tuba, tímpano, tamborim, pratos, gongo, caixa-clara, bumbo, triângulo, bloco tubular, xilofone, acordeón, órgão-harmônio, as cordas (violinos, violas, violoncelos e contra-baixos)

De toda a produção de Shostakovich, a parte menos conhecida são seus três balés, e "A Era do Ouro" é o primeiro deles. A música é cheia de ironia, com forte colorido jazzístico. O balé como um todo, com suas 2 horas e meia de duração, trata da visita de um time de futebol russo a uma cidade capitalista do Ocidente e todos os seus "perigos capitalistas": os jovens atletas soviéticos — puros em essência, evidentemente — vêem-se confrontados a toda sorte de perversidade do mundo não-comunista, como o político corrupto, o artista egoísta e não-comprometido, o burguês interesseiro, e toda sorte de decadências.

O próprio Shostakovich extraiu uma Suíte para apresentação em concertos, consistindo de 4 movimentos:

I. Introduction: Allegro non troppo (Introdução: Rápido mas não tanto) — cerca de 4 minutos
II. Adagio (Com calma) — cerca de 8 minutos
III. Polka: Allegretto (Polca: Sem arrastar) — cerca de 2 minutos
IV. Danse (Dança) — cerca de 3 minutos

Dos movimentos acima, a Polca ganhou especial notabilidade, graças a uma ersão para piano feita pelo autor e muito divulgada. Shostakovich, ele mesmo um amante do futebol, teria cunhado a frase que diz que "o futebol é o balé das massas". 

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(1944) BERNSTEIN Danças de "Um dia em Nova York"

Three Dances from On the Town

Compositor: Leonard Bernstein
Data da composição: 1944
Estréia: 28 de dezembro de 1944 — em Nova York, na Broadway, Adelphi Theater, orquestra liderada por Max Goberman

Duração: cerca de 11 minutos
Efetivo: 1 flauta-piccolo, 1 flauta, 1 oboé, 3 clarinetas, 2 trompas, 3 trompetes, 3 trombones, tímpano, pratos suspensos, caixa-clara, bumbo, triângulo, bateria, bloco tubular, xilofone, piano, as cordas (violinos, violas, violoncelos e contra-baixos)

Bernstein concebeu a música para o espetáculo da Broadway que traçava as 24 horas de 3 marinheiros em folga na cidade de Nova York em plena Guerra, naquele mesmo ano de 1944. As aventuras dos rapazes atrás de idílios amorosos rendeu belas melodias, e o sucesso do musical foi ampliado mundo afora pelo filme homônimo de 1949 estrelado por Jules Munshin, Gene Kelly e Frank Sinatra.

Da obra completa, anos mais tarde, Bernstein retirou os episódios de dança para apresentação em concerto:

I. The Great Lover displays himself: Allegro pesante (O grande amante se mostra: Rápido e pesado) — cerca de 2 minutos
II. Lonely Town, Pas de deux: Andante (Cidade solitária, Passo a dois: Passo de caminhada) — cerca de 3 minutos
III. Times Square, 1944: Allegro — Poco meno mosso — Più mosso — Presto — Poco meno — Tempo primo (Times Square, 1944: Rápido — Um pouco menos movimentado — Bem movimentado — Correndo — Diminuindo — Tempo inicial) — cerca de 5 minutos

O frescor da música de um espetáculo popular na Broadway, revestido de uma competente instrumentação sinfônica deste multi-facetado talento que foi Bernstein (compositor, jazzista, regente, pianista e show-man) com melodias deliciosas e certamente marcantes para quem viu e ouviu nas telas Gene Kelly e Sinatra cantarem "New York, New York, it is a wonderful town"...

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(1928) STRAVINSKY Música do balé "Apolo, líder das musas"

Apollon musagète

Compositor: Igor Stravinsky
Data da composição: 1927 a 1928
Estréia: 27 de abril de 1928 — em Washington, Library of Congress, regência do autor

Duração: cerca de 30 minutos
Efetivo: 34 instrumentos de cordas (8 primeiros- e 8 segundos-violino, 6 violas, 8 violoncelos e 4 contra-baixos)

A obra foi encomenda da mecenas americana Elizabeth Sprague Coolidge para um festival que aconteceria em 1928 na Biblioteca do Congresso em Washington, mas Stravinsky concebeu a obra de olho na Companhia dos Balés Russos de Diaghilev em Paris, que apresentou a estreia europeia (2 meses depois da americana) no Théâtre Sarah Bernhardt.

A encomenda determinava que o balé deveria ser dançado por 6 bailarinos (a versão final ficou com 4) e não deveria ultrapassar meia hora de duração; mas o tema a ser abordado era escolha com total liberdade do compositor. Stravinsky vinha fascinado com o universo da mitologia grega, acabara de escrever a ópera "Édipo Rei" e resolveu investir num tratamento neo-clássico para a música, limitando-se às texturas de 34 instrumentos de cordas e explorando a grandeza na simplicidade. Pediu ao coreógrafo que deixasse a música fluir pela leveza dos movimentos e que tudo fosse branco, sem que as cores viessem macular essa beleza clássica quase grega e bastante idealizada (já que o branco marmóreo a que fomos habituados na arquitetura e escultura clássicas nada mais são que a remoção que o passar dos anos promoveu nos antigos pigmentos).

São dez números, em duas partes:

Premier tableau:
I. Naissance d'Apollon: Largo — Allegretto — Tempo I
(O Nascimento de Apolo: Bem devagar — Sem arrastar — Volta ao tempo inicial) — cerca de 5 minutos
Second tableau:
II. Variation d'Apollon, Apollon et les Muses: Adagio
(Variação de Apolo, Apolo e as Musas: Com calma) — cerca de 3 minutos
III. Pas d'action, Apollon et les trois muses, Calliope, Polymnie et Terpsichore: Moderato
(Cena dramática, Apolo e as três musas, Calíope, Polímnia e Terpsícore: Moderadamente) — cerca de 5 minutos
IV. Variation de Calliope: Allegretto
(Variação de Calíope: Sem arrastar) — cerca de 1 minuto e meio
V. Variation de Polymnie: Allegro
(Variação de Polímnia: Rápido) — cerca de 1 minuto
VI. Variation de Terpsichore: Allegretto
(Variação de Terpsícore: Sem arrastar) — cerca de 2 minutos
VII. Variation d'Apollon: Lento
(Variação de Apolo: Lento) — cerca de 2 minutos e meio
VIII. Pas de deux, Apollon et Terpsichore: Adagio
(Passo a dois, Apolo e Terpsícore: Com calma) — cerca de 4 minutos e meio
IX. Coda, Apollon et les Muses: Vivo — Tempo sostenuto — Agitato
(Início da conclusão, Apolo e as Musas: Com vivacidade — Tempo sustentado — Com agitação) — cerca de 4 minutos
X. Apothéose: Largo e tranquillo
(Apoteose-final: Bem devagar e tranquilamente) — cerca de 4 minutos

O resultado é uma música elegante, de contornos suaves e graciosa fluidez. Anos mais tarde, em 1947, Stravinsky promoveu ligeira revisão na partitura, mas nada de muito significativo foi alterado. Ele chegou a declarar que pensou em mudar a instrumentação para uma orquestra de câmara de sopros (o que contrariaria sua ideia inicial de "um balé branco") para realçar os contrastes da dinâmica entre as vozes, mas essa alteração nunca foi feita.

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(1891) DVOŘÁK Abertura "Carnaval"

Karneval, koncertní ouvertura

Compositor: Antonín Dvořák
Número de catálogo: Opus 92 / B 169
Data da composição: de 28 de julho a 12 de setembro de 1891
Estréia: 28 de abril de 1892 — Praga, regência do autor

Duração: de 9 a 10 minutos

Efetivo: 1 flauta-piccolo, 2 flautas, 2 oboés, 1 corne-inglês, 2 clarinetes, 2 fagotes, 4 trompas, 2 trompetes, 3 trombones, 1 tuba, tímpanos, pratos, tamborim, triângulo, harpa e as cordas (primeiros-violinos, segundos-violinos, violas, violoncelos, contra-baixos)

Em 1891 Dvořák estava com 50 anos e prestes a viver sua aventura na América, onde escreveu, dentre outras obras, a famosa Sinfonia do Novo Mundo e o Concerto para violoncelo. Era um momento de efervescência pessoa e quase um renascimento artístico, com todas as possibilidades que a mudança de continente lhe traria.

A obra é parte de um tríptico (que raramente aparece junto nas salas de concertos) apelidado pelo autor de "Natureza, Vida e Amor", sendo "Carnaval" a parte correspondente à Vida, a segunda das 3 peças, todas Aberturas de concerto. "Carnaval" tem a seguinte estrutura de andamentos:

Allegro — Poco tranquillo — Andantino con moto — Tempo I — Poco più mosso
Rápido — Com um pouco de tranquilidade — Sem arrastar, mas com movimento — Tempo inicial (rápido) — Com um pouco mais de movimento

A peça abre feérica e agitada, mas precisamos ter em mente que ela estaria dando sequência à uma obra de caráter mais introspectivo, a Abertura "No Reino da Natureza", obra de ares pastorais e bastante representativa das paisagens da Bohemia. Após esse momento de comunhão com a natureza é que explode a entrega ao turbilhão da vida, o nosso "Carnaval" em questão.

Após a imensa energia da parte inicial, temos uma passagem central contrastante — o Andantino — de meditação poética, no qual Dvořák promove uma encantadora conversa entre o violino-principal e os sopros. A inquietação — com a qual a obra se iniciou — retorna e conclui esse "Carnaval" com brilho e força.

No tríptico original seguiria-se a Abertura "Otello", representando a parte do amor, e curioso que o autor escolhera um personagem shakesperiano cujo ciúmes destruiu o amor; mas isso seria objeto para outra análise. Fiquemos, aqui, com a excitação febril de "Carnaval" como peça isolada.

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(1947) STRAVINSKY Balé "Orfeu"

Orpheus, Ballet in three Scenes

Compositor: Igor Stravinsky
Data da composição: 1947 a 1948
Estréia: 28 de abril de 1948 — em Nova York, no City Center of Music and Drama, regência do autor

Duração: cerca de 30 minutos
Efetivo: 1 flauta-piccolo, 2 flautas, 2 oboés, 1 corne-inglês, 2 clarinetas, 2 fagotes, 2 trompas, 2 trompetes, 2 trombones, 1 trombone-baixo, tímpanos, harpa, um quinteto de cordas (primeiro- e segundo-violino, viola, violoncelo e contra-baixo) — podendo ser o quinteto ampliado ao naipe de cordas

O Orfeu de Stravinsky consiste em 12 números distribuídos em 3 cenas: isso para quem for assistir à apresentação dançada; para a apreciação em concerto, trata-se de cerca de meia hora ininterrupta de música. Stravinsky trabalhou no tema a pedido de Lincoln Kirstein, que coordenava a recém-fundada Ballet Society junto com Balanchine. É uma obra bastante peculiar pois o autor da emblemática e revolucionária Sagração da Primavera volta, aqui, os olhos à mitologia, dá ao todo um certo colorido neo-clássico, e até remete às sonoridades da música medieval (que ele vinha estudando), mas mantém-se extremamente contemporâneo ao século XX. Não há figurações representativas — como a armadilha quase inevitável de se usar a harpa como a lira de Orfeu — e tudo é sugerido de maneira tênue e envolvente. Na sua placidez dolorida, a violência emocional da morte de Eurídice é exposta sem arroubos.

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(1854) LISZT Poema Sinfônico "Orfeu"

Orpheus, symphonische Dichtung

Compositor: Franz Liszt
Número nos catálogos: LW G-9 / S 98
Data da composição: 1853 a 1854
Estréia: 16 de fevereiro de 1854 — em Weimar, no Hoftheater (hoje Nationaltheater), regência do autor

Duração: cerca de 12 minutos
Efetivo: 1 flauta-piccolo, 3 flautas, 2 oboés, 2 clarinetas, 2 fagotes, 4 trompas, 2 trompetes, 3 trombones, 1 tuba, tímpanos, 2 harpas, as cordas (primeiros- e segundos-violinos, violas, violoncelos e contra-baixos)

Liszt é o criador do termo "Poema Sinfônico" e este é o quarto dos 12 que ele escreveu. A inspiração veio da ópera "Orfeu e Eurídice" de Gluck, que Liszt, como o maestro-de-capela da Corte de Weimar, iria dirigir na temporada de 1854. Em atitude ousada e de grande inspiração, tocou sua peça antes mesmo da abertura da icônica ópera (escrita por Gluck em 1762, quase um século antes). Ao contrário de muitas de suas músicas de programa — toda obra musical que tem por trás um significado gerador, em geral vindo da literatura — este Orfeu é mais uma impressão sensorial do "primeiro poeta-músico" que propriamente uma descrição musical resumida do enredo de sua história.

Andante moderato – Un poco più di moto – Lento — Andante con moto — Lento
(Passo de caminhada moderado — Um pouco mais de movimento — Lento — Passo de caminhada, com movimento — Lento)

Desde os primeiros acordes nos surpreendemos com a semelhança com o estilo que Wagner, futuro genro de Liszt, ainda iria impor com obras lendárias como Parsifal ou Tristão e Isolda. E não por acaso Wagner tinha nesse Orfeu sua obra orquestral preferida no repertório do mestre e depois sogro. As harpas, simbolizando a lira de Orfeu, desempenham papel fundamental.

Dos 12 Poemas Sinfônicos do autor, esse é o mais curto em duração e o mais conciso na temática. Não aparece nenhum segundo tema ou contra-tema: apenas um, suave, lírio, aquele que Liszt, postado diante de um jarro etrusco no Louvre que retratava Orfeu, concebeu como sendo o canto civilizador, do herói que conduz a humanidade à idade moderna. 

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Thomas Hampson

Thomas Walter Hampson
  
Elkhart, Indiana, Estados Unidos, 28 de junho de 1955
  
Registro vocal: barítono

Hampson era mais voltado à política e só começa a estudar canto mais seriamente em 1978, já com 23 anos, quando vence o Concurso "Lotte Lehmann". Inscreve-se na Universidade da Califórnia e em 1980 consegue um posto na Ópera de San Francisco. Lá conhece a lendária Elisabeth Schwarzkopf, que será sua tutora e vai declarar ser dele a voz mais bela daquele momento. Isso assim, dito quando o barítono Dietrich Fischer-Dieskau ainda estava em atividades, é um elogio gigantesco. 

Os papéis mais disputados se sucederam, nos mais importantes palcos do mundo. Com Leonard Bernstein realizou gravações antológicas das Canções de Mahler. Dono de uma voz incrivelmente bela, timbre perfeito, isso junto a uma figura que, segundo a People Magazine em 1993, era uma das 50 pessoas mais bonitas do mundo...

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Paavo Järvi

Paavo Järvi

Talin, Estônia, 30 de dezembro de 1962

Paavo é filho do renomado regente Neeme Järvi, e tem dois irmãos musicistas: Kristjan é pianista e também regente; e Maarika é flautista. Iniciou seus estudos na Academia de Música de Talina e quando tinha 17 anos, seu pai mudou-se com a família para os Estados Unidos, inscrevendo-o no Curtis Institute (na Filadélfia). Mais tarde foi aluno de Leonard Bernstein em Los Angeles. 

Seu primeiro posto como regente principal foi na Sinfônica da cidade de Malmo (Suécia) de 1994 a 1997. Logo acumulou o cargo como regente-principal na Filarmônica Real de Estocolmo, onde esteve de 1995 a 1998. De 2001 a 2011 foi o diretor da Orquestra de Cincinnati. Desde 2004 é também o diretor do Festival da Estônia. Nesse meio tempo foi diretor da Orquestra da Rádio de Frankfurt de 2006 a 2014, e da Orquestra de Paris de 2010 a 2016.

Mas seu grande feito começou a aparecer quando ele assumiu, em 2004, a Orquestra Filarmônica de Câmara de Bremen, a qual ainda dirige: lá ele conseguiu desenvolver uma sonoridade firme e pulsante, gravando um ciclo Beethoven que revolucionou a maneira de escutar o grande compositor, aliando o poder sonoro da orquestra moderna, às descobertas de articulação e ritmo da escola de instrumentos antigos. O resultado é impressionante.

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Scala

Nuovo Regio Ducal Teatro
Teatro alla Scala a Milano
La Scala

2.030 lugares

Inauguração: 3 de agosto de 1778
Local: Via Filodrammatici 2, Milano, Itália
Projeto: Giuseppe Piermarini

Vamos aos primórdios, e ao jocoso nome de "teatro da escada". Em 1381, no local onde hoje está o mais famoso palco de óperas do mundo, terminava-se a construção de uma igreja gótica mandada construir pela esposa do Signore de Milão, Bernabò Visconti. Ela era Beatrice Regina della Scala, de nobre família de Doges venezianos. Por isso a Igreja foi apelidada de Santa Maria alla Scala. Essa igreja foi demolida em 1776 a mando da Imperatriz Maria Tereza de Áustria, para dar lugar a uma nova casa de óperas, depois do incêndio que destruiu o Teatro Regio Ducale, que havia sido consumido pelo fogo. Pronta a bela edificação em 1778, o povo deu ao teatro o apelido com o qual se habituara a chamar a igreja: alla Scala.

A noite de inauguração se deu com pompa, a 3 de agosto de 1778, com a presença do Arquiduque Fernando Carlos de Áustria-Este, regente do Ducado de Milão, e uma produção especial para a ocasião: a ópera "Europa Reconhecida" de Antonio Salieri, que ali estreou regida pelo próprio compositor.

A primeira formatação da casa chegava a abrigar cerca de 3.000 espectadores. Uma renovação em 1907 dotou o espaço com cadeiras fixas e a capacidade caiu para 1.987 lugares. Após as sérias danificações feitas por bombardeios na Segunda Guerra, o Scala foi novamente reformado, re-abrindo em 11 de maio de 1946 em concerto conduzido por seu diretor da época, ninguém menos que ARturo Toscanini, e uma estrela do canto lírico, a soprano Renata Tebaldi. Recentemente, nova renovação (e readequação dos espaços, que hoje abrigam 2.030 pessoas) e re-aberura a 7 de dezembro de 2004, novamente com a "Europa Reconhecida" de Salieri, dessa vez com regência do então diretor da casa, Riccardo Muti.

Famoso pela acústica, figura nas publicações especializadas como a número um nesse quesito para casa de ópera, e todo o mundo. Ali estrearam a "Norma" de Bellini em 1831, o "Nabucco" de Verdi em 1842, o "Mefistofele" de Boïto em 1868, o "Guarany" de Carlos Gomes em 1870, a "Turandot" de Puccini em 1926, dentre inúmeros outros títulos importantíssimos.

Pela direção da casa passaram ícones como Toscanini, Tullio Serafin, Victor De Sabata, Carlo Maria Giulini, Guido Cantelli, Claudio Abbado, Riccardo Muti, e Daniel Baremnboim. Atualmente, a gestão é do maestro Riccardo Chailly.

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Myung-whun Chung

정명훈
Jeong Myeonghun (romanização exata)

Seoul, Coréia do Sul, 22 de janeiro de 1953

Chung foi aluno de Oliver Messian. Com suas irmãs, a violinista Kyung-wha Chung e a violoncelista Myung-wha Chung, ele mantém o Chung Trio, no qual atua como pianista. Aliás, foi como pianista que ele surgiu, sendo o segundo colocado em 1974 no disputadíssimo Concurso Tchaikovsky em Moscou (o primeiro colocado fora Andrei Gavrilov). De 1978 a 1984 ele foi asistente de Carlo Maria Giulini na Filarmônica de Los Angeles. De 1987 a 1992 dirigiu o Teatro Comulnale de Florença; e de 1989 a 1994 diretor da Ópera de Paris. 

Ajudou a fundar a Filarmônica da Ásia, orquestra da qual é o diretor. Dirige desde 2000 a Filarmônica da Rádio da França, desde 2005 o regente-principal da Filarmônica de Seoul e desde 2012 o principal regente-convidado da Staatskapelle de Dresden.

© RAFAEL FONSECA